27 de dezembro de 2010

DEPOIS DO REVEILLON ROBERTO CARLOS, MAIS UM REVEILLON.

Com dores devido à um acidente recente de moto, o "Rei" Roberto Carlos conduziu seu show sem decepcionar os seus fãs. Parabéns para ele. Realmente devo admitir que artistas como este dificilmente surgirão novamente. Eu não sou fã de Roberto, mas quem é sabe o que eu estou dizendo. Foi um "Reveillon" para ninguém botar defeito, ou melhor, para nenhum Policial e Bombeiro Militar botarem defeito, porque o serviço foi sangrado.... 

E como não poderia deixar de ser, vem aí o sofrimento mor do ano: O Reveillon (outro?) em Copacabana (de novo??). Exatamente, caros senhores. Como se não bastasse, enfrentaremos novamente as agruras do serviço policial militar. O Rei contribuiu para uma amostra (não é suficiente o reveillon "real") do que há por vir. Mas um fim de ano longe da família e amigos. A cidade está vazia neste período: escolas não funcionam, grande parte da classe trabalhadora está de férias. Um amigo meu que trabalha em regime de plantão, ficou "garrado" o ano passado. Mas este ano, ele me ligou muito feliz, perguntando onde vou passar as festas de fim de ano. Nesta hora, resposta não sai. Mas consegui dizer que não sou um trabalhador comum e que meu regime é de escravidão e que não existe uma escala de revezamento como a dele. Trabalhei o ano passado, vou trabalhar este ano, o ano que vem, e o ano que vem, e o que vem... E assim por diante. Pelos próximos 30 anos....

Policial Militar não tem vida. Ser militar, significa, não ter direitos. Pode ser que um dia isto mude. Mas enquanto não muda, vamos sofrendo. Eu estarei lá. Muito provavelmente em uma daquelas torres de policiamento, "sangrando o POG a pé". Vamos rezar, para que pelo menos seja como no ano passado, com escala dupla, com dois horários. Porque para chegar às 15 horas no posto de policiamento... Imagina que horas que este policial que vos escreve vai sair de casa, para PRIMEIRO, se apresentar na unidade em que serve, para DEPOIS se apresentar na unidade de BPB, para AINDA DEPOIS, ser apresentado ao 19º BPM... Só de pensar a perna já dói... Mais de 20 horas de efetivo serviço.. E de graça...

Caros senhores. Vamos continuar estudando. Uma hora a estrela brilha. Como a de mais de 150 que brilharam este ano, que conseguiram passar em algum concurso. É um trampolim. Vamos deixar a caserna para quem merece ela. Porque nós trabalhamos muito e não somos reconhecidos. Alguma coisa já aconteceu de bom? Não é suficiente. 

Estamos na lama. Precisamos pelo menos alcançar um posto de conforto. Eu acordo de noite para trabalhar e até hoje não recebi um elogio escrito. Não vou ser muquirana e dizer que meus superiores não me elogiam, que é mentira. Mas ser criticado quando alguém faz cagada é foda. Nunca cheguei atrasado EM TODA A MINHA CARREIRA PROFISSIONAL. Meu pai, com 44 anos de CTPS assinada NUNCA FALTOU AO SERVIÇO. E nunca foi militar. Eu, assim como ele, trabalho doente. Com fome. Com vontade insuportável de ir ao banheiro. Prendo. Sustento. O trabalho é somente o que importa. Então eu acho que está no sangue. Reina então aquela velha máxima: tá fazendo o certo e não está errando, está tudo bem. Agora: não erre. Senão....


2 comentários:

  1. Força Oliveira! Não demora muito vc sai dessa escravidão!!!!

    Mesmo saindo, não pare com o blog. É um dos mais autênticos da blogosfera policial!

    Dia 1o. eu to de serviço tbm. Abraço! Pq feliz ano novo não tem como mandar!

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  2. Fala nobre combatente!
    Eu pretendo deixar a escravidão sim. De qualquer jeito. Mas o meu blog foi um ponta-pé de um projeto que eu estou desenvolvendo e mesmo que eu deixe a PMERJ, um dia eu volto para o ramo, como Delegado, Promotor, o que Deus permitir!
    O blog continuará vivo e eu tenho ainda a intenção de transformá-lo num canal de serviços para profissionais de segurança pública.
    E muito obrigado pela força nobre.
    Obrigado pelo elogio ao espaço.
    Um Feliz 2011, mesmo que seja bancando um serviço sangrado!!

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"Quando o Estado abandona seus servidores, deixando-os à mercê do outro lado, é porque, muito provavelmente, o Estado está do outro lado"

Giovanni Falcone, Juiz italiano especializado em processos contra a máfia siciliana Cosa Nostra.

"Uma sociedade é livre na medida em que propicia o choque de opiniões e confronto de idéias. Desses choques e confrontos nasce a Justiça e a Verdade, garantido o progresso e auto-reforma dessa sociedade".

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