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27 de abril de 2008

Oficiais vs Praças - Uma rivalidade ou o quê afinal?


Assunto batido mas interessante para ser discutido...Desde que ingressei na PMERJ, há 3 anos (isso na corporação é pouquíssimo tempo, comparado com o tempo de serviço em uma empresa privada), tenho vivido e observado com uma atenção especial, esse detalhe curioso: a rispidez existente entre Oficiais e Praças. Mas porque, indaga você, caro leitor? Não é difícil explicar. Mas, desgastante. Porém terei o enorme prazer desse trabalho. Leia. E tire suas próprias conclusões.Tentarei abordar aqui algumas questões que dificilmente são discutidas.

O MILITARISMO

Pra quem não serviu as Forças Armadas e, nem ao menos se interessa por assunto de tipo, vou apresentar o conceito de Militarismo. Mas logo deixarei claro: não é o militarismo o principal problema do atrito entre oficiais e praças, ok?
Bem...O conceito de militarismo ficou claro na Grécia Antiga, onde, nas guerras da época, tais combatentes de uma determinada sociedade começaram a se organizar em escalas de importância hierárquica, onde seus integrantes dividiam-se em dois grupos distintos: um que TOMAVA DECISÕES (a minoria, mais instruída do assunto em questão), e um grupo que ACATAVA DECISÕES (a maioria, os que estavam a par da execução do assunto).Isso se tornou muito útil, (sociedade orgânica) nos combates travados, pois com a divisão de responsabilidades (onde cada integrante SABE EXATAMENTE O QUE DEVE FAZER) o exército avançava com inteligência e o mínimo de baixas.Logo, o Militarismo, se bem empregado, traz reais benefícios para a tropa, reduzindo as baixas e ao mesmo tempo, poupando a equipe como um todo. Vale lembrar que a base do militarismo são a DISCIPLINA E A HIERARQUIA.

A ORIGEM DO "SUPOSTO" PROBLEMA

Agora você vai compreender e poderá tirar suas próprias conclusões. E corrijam-me se estiver errado...Para que essa tropa seja beneficiada e poupada, os COMANDANTES (OFICIAIS), além de estar preparados teoricamente, TEM DE ESTAR TAMBÉM PREOCUPADOS E INTERESSADOS em ajudar os COMANDADOS (PRAÇAS), correto? De NADA irá adiantar um exército de um milhão de homens, se este estiver sendo comandado por um líder desinteressado, despreparado, alheio às necessidades de sua tropa. E pior ainda, se este líder, for um líder "forçado", "feito". Ou seja, para estar no comando, é necessário TER O DOM da Liderança. E este dom não se aprende em uma escola ou coisa parecida. Ela "vêm com o ser". É interna. É própria. O que ela pode no máximo, é ser lapidada. Construída, jamais.

A TROPA COMO REFLEXO DO COMANDANTE

Nas Polícias Militares funciona assim: Os Oficiais são admitidos pelo Governador do Estado e os Praças, incorporados pelo Comandante Geral. Logo, temos: GOVERNADOR --> OFICIAIS --> PRAÇAS. Partindo deste raciocício então temos:

>>GOVERNADOR<<
Desinteressado;
Alheio às reais necessidade da tropa;
Confuso;
Atitudes não-transparentes.
:
:
:
>> OFICIAIS<<
Desacreditados;
Desestimulados;
Traídos;
Magoados e tristes.
:
:
:
>> PRAÇAS<<
Desestimulados;
Rancorosos;
Stressados e deprimidos;
Não-assistidos.
O que vemos então é uma sucessão de maus sentimentos, transferidos dos mais altos degraus para os mais baixos. E não podemos esquecer que, sendo um serviço essencial (Segurança Pública - obrigação Constitucional do Estado), temos na ponta desta corrente, além dos praças, a população, que então é servida com um serviço de péssima qualidade.

Sem fugir do assunto mas fugindo, digo ainda que não adianta regulamento rigoroso e/ou punição rigorosa pois, quando é atingido esse quadro de desordem - dentro de uma instiuição que prega a ordem, fatalmente nos defrontaremos com uma situação de anomia. Uma anomia paradoxal. A desordem dentro da ordem. A população olha para a polícia na rua, vê que ela está lá, presente, com uma viatura nova, um policial bem-fardado e com postura marcial, mas fica a estranha sensação de que aquilo é uma fachada, um conto pra gringo ver. Sobre essa estranha sensação falo em outro artigo...

Mas caro cidadão, a porção que está ali presente, é a única fatia do Estado visível, palpável e instantânea. E se você pressente algo errado, é porque alguma coisa está realmente errada...com o Estado. O que temos a fazer então é não se deixar levar por churrascos, por camisas de candidatos, por rua asfaltada, por tampa de caixa d'água: quando chegar a eleição, vote em outro...

Mas, e o praça? Já imaginou a quantidade de rancor assimilada pore eles? A sensação de impotência? Conheço vários que tomam medicamento de tarja preta e não conheço algum que não esteja com algum problema. Sem contar com o assédio moral. O tratamento oferecido por alguns oficiais seja a ser degradante. Em tempo: praça graduado também pode atuar com cargos de comando, na ausência do oficial.
Mas eu não culpo eles. Não está gostando? Pede pra sair. Estudou muito pra entrar? Continue estudando e vá a luta. Vá buscar algo melhor. Pare de reclamar e faça alguma coisa para que sua vida melhore. Só não espere alguém fazer isso por você.
E não deixe o caminho das trevas lhe conquistar. Ele é bom. Muito bom. Lhe trará tudo aquilo que sempre sonhou...Mas como você pode imaginar, somente os mais fracos sucumbem....
E o grande culpado por essa sucessão é sim, o "Moço" que está no ápice desta pirâmide...

Portanto, eu não vejo problema algum por parte dos oficiais e sim, um problema que vem lá de cima. O praça que reclama de oficial nunca trabalhou em empresa privada onde também existe a mesma coisa. Apenas não há a continência. O resto é igual. Tem Gerente-Geral excroto, tem Comandante excroto, e se você é soldado, assim como eu, encontrará até cabo excroto. E todos no final são seres humanos, com diferentes graus de responsabilidade e com metas a atingir. É claro que o Líder nato arrancará a missão de você sem que nem mesmo perceba e ainda você irá agradecê-lo. Já o não-lider, lhe dará a ordem, e você somente fará o dito "feijão-com-arroz". Ou seja, neste último, o ciclo se fecha e a resultante não ecoa. Fica mecânico. Um se torna um simples aspirante à lider e o outro um mero marionete. Funciona mas não gera resultado.
É isso!
SALVEM A PMERJ!!!

3 comentários:

  1. Parabéns pelo blog e pela lucidez das postagens.
    SALVEMOS A PMERJ!

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  2. Conheci agora este espaço e achei bastante interessante e de bom nível argumentativo.
    Vim através do link do blog do Maj Wanderby.
    Sobre a matéria exposta, concordo com sua argumentação e diria, antecipando uma conclusão, que todo ser humano responde a dois tipos de estímulo: o POSITIVO e o NEGATIVO. Ocorre que atualmente na PMERJ só se aplica o estímulo NEGATIVO e os resultados são os que se vêem. O estímulo POSITIVO deveria vir "de cima" como vc diz: motivação, salários, promoções, qualificação, etc.

    Parabéns pelo seu blog!


    Cel PM RR Rosette

    ResponderExcluir
  3. SÉRGIO CABRAL VERSUS PRAÇAS DA PMERJ
    È difícil compreender como uma instituição tão importante na sociedade, refere-se aos seus integrantes com tanto descaso. O caso do cabo Gutemberg entregue pelo seu superior hierárquico aos leões numa favela do Rio de Janeiro, para atender aos anseios particulares de uma loira turbinada, nos remete aos princípios que norteiam os dirigentes de uma corporação secular . "Manda quem pode obedece quem tem juízo."
    Ao longo da sua história a polícia militar, foi utilizada para proteger a propriedade privada, em detrimento dos seus integrantes. Isso se comprova desde a sua génese quando o príncipe regente D.João funda a Divisão Militar da Guarda Real da Polícia da Corte do Rio de Janeiro (DMGRP) em 1809. Célula principal da instituição atual. Onde os soldados eram tratados com condições insalubres, sem o direito de se manifestarem e serem promovidos. Enquanto os oficiais eram escolhidos pela nobreza, através do Governador das Armas da Corte.
    D. João, ao chegar no Brasil encontrou terreno fértil para exploração e sustentáculo dos privilégios de uma família de ociosos que pouco se preocupavam com o bem estar daqueles que aqui estavam, e os guardas eram peças chaves na imposição da repressão para apropriação das propriedades alheias.
    Infelizmente, duzentos anos, não foram suficiente para o senhor governador do estado do Rio de Janeiro - Sérgio Cabral. Apagar essa visão elitista na escolha dos oficiais. Foi o que comprovou o decreto do GOVERNADOR, publicado no BOL 032-2010-PMERJ. Onde este proíbe que os praças com mais de 30 anos realizem o concurso para APM. Um direito conquistado pelos praças, onde inúmeros militares foram agraciados é lamentavelmente vetado. E como sempre sem nenhuma explicação. O nosso excelentíssimo governador, ao invés de animar a tropa joga um balde de agua fria nos militares que almejam pelo esforço e merecimento ingressar na academia. Mesmo com todo sofrimento da vida na caserna para servir e proteger o praça sabia que através do seu empenho INTELECTUAL, SOCIAL E FÍSICO, poderia ter um salário melhor.
    E AGORA!. O praça deve esperar 15 anos para sair sargento. O que esperar de uma instituição que não respeita seus integrantes, homens de ponta que "enfrentam a morte e mostram-se fortes no que vier a acontecer".
    Fica nítido, que o senhor não estar nem aí pra PMERJ. Já que o senhor tem carro blindado com segurança particular e se o PM tá satisfeito ou não é um mero detalhe. É impossível acreditar que com tantos problemas na administração de um Estado onde o praça tem um dos menores salário do Brasil o senhor ainda que ferrar o pobre do policial. - Alimentando a insatisfação e o desejo de abandono da instituição. É a mesma coisa que dizer: que o praça só serve pra tomar tiro e manter o cargo político de homens que se esqueceram que foram jovens e que sonhavam com uma promoção.
    Para reflexão do senhor o cabo Gutemberg estava a dois anos se preparando para prestar o vestibular da UERJ e teve sua vida brutalmente interrompida pelo despreparo de seu comandante. Derramando seu santo sangue no território do rio de Janeiro. Assim como o senhor também assassinou o sonho de bons profissionais que estavam lutando por uma vida melhor dentro da instituição.

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"Quando o Estado abandona seus servidores, deixando-os à mercê do outro lado, é porque, muito provavelmente, o Estado está do outro lado"

Giovanni Falcone, Juiz italiano especializado em processos contra a máfia siciliana Cosa Nostra.

"Uma sociedade é livre na medida em que propicia o choque de opiniões e confronto de idéias. Desses choques e confrontos nasce a Justiça e a Verdade, garantido o progresso e auto-reforma dessa sociedade".

Stuart Mill

“A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos”.

Barão de Montesquieu

"Aqueles que planejam o mal acabarão mal, porém os que trabalham para o bem dos outros encontrarão a felicidade"

Provérbios 12.20