3 de setembro de 2009

VALEMOS O QUE TEMOS PARA OFERECER

E não o que somos como ser humano...

Estamos cansados de saber que a humanidade de hoje tem agido desta maneira. Digo a humanidade, sim, pela percepção de que temos de nossos próximos; pois quanto mais "próximos são os próximos" é que vemos este terror se pronunciar com mais evidência.

Falamos aqui que nossa família é a primeira a nos crucificar. Eu não diria isso... Outros dizem que é a sociedade. Eu concordo com essa última. Aliás, essa é a classe de nossos inimigos que mais nos temem. Imaginem uma polícia única, bem remunerada, super articulada e moderna, que realmente funcionasse? O Rio de Janeiro entraria em colapso em 72 horas ou menos... Não haveria cafezinho que pudesse dar jeito! Alguém aí discorda?

Mas afinal de contas, o que realmente somos?

Não somos. Eu só posso responder: “o que EU sou”. Senão estaria me generalizando, como faz a sociedade sociality. O fato de estarmos fardados não significa que saímos do mesmo lugar. Eu tive uma educação diferente de todos os demais, assim como todos os demais tiveram um educação diferente de todo o resto. Logo, só posso responder por mim mesmo. Se somos ou não somos isso não interessa. O interesse da coletividade não está em minhas mãos. Isso é tarefa do Governador do Estado, que infelizmente, nós não temos.

A pergunta mais correta seria: “O que eu tenho para ser valorizado?” Agora estou chegando aonde quero chegar. Eu não tenho nada. Nada do que é necessário ter para ser valorizado. Não tenho carro, ando de ônibus. Ganho mal pacas e ainda pago minha passagem. Minhas roupas são velhas. Médico? Dentista? Brincadeira. Não faço segurança. Até hoje não consegui comprar minha arma particular. Sou contra segurança privada. Mas como eu conseguiria sair desta situação de lamúria, sem roubar? Segurança é a resposta. Meus amigos que são policiais militares que ainda não formaram família e tem o dinheiro só para eles, são aqueles que “tiram onda”, com carro de 30, 40 ou 50 mil... Só tirando onda.

Esses são valorizados.

Um policial que não precisasse fazer segurança na sua folga;
Um policial que não precisasse recorrer a empréstimos toda vez que tivesse que comprar algo;
Um policial que pudesse, nos momentos de lazer, ter lazer.

Esses seriam valorizados. E respeitados.

Eu não sou respeitado. E muito menos valorizado. E ainda por cima, tentam me diminuir. Eu sou um POLICIAL MILITAR POR FALTA DE OPÇÃO. Triste ter que dizer isso. Eu não sou o culpado. Não me culpem por favor por isso. Culpem-se vocês mesmos (
sociedade sociality), por votarem naquele que prometeu e mentiu.
Culpem-se vocês mesmos, por aceitarem tampa de caixa d’água, churrascos ou camisas de times de futebol;
Por rua asfaltada;
Por esmola...

Não se valorizaram... Consequentemente... Sem respeito...

RESITINDO.
A FÉ ESTÁ NO TALO.
DESACREDITADO.
CANSADO.
DOENTE.
POLICIAL MILITAR... DO RIO DE JANEIRO.




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"Quando o Estado abandona seus servidores, deixando-os à mercê do outro lado, é porque, muito provavelmente, o Estado está do outro lado"

Giovanni Falcone, Juiz italiano especializado em processos contra a máfia siciliana Cosa Nostra.

"Uma sociedade é livre na medida em que propicia o choque de opiniões e confronto de idéias. Desses choques e confrontos nasce a Justiça e a Verdade, garantido o progresso e auto-reforma dessa sociedade".

Stuart Mill

“A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos”.

Barão de Montesquieu

"Aqueles que planejam o mal acabarão mal, porém os que trabalham para o bem dos outros encontrarão a felicidade"

Provérbios 12.20