25 de dezembro de 2014

MENSAGEM DE FIM DE ANO DO SEGURANÇA PÚBLICA FLUMINENSE

É Natal. Dia de celebração para os cristãos e afins. Dia de nascimento de Jesus. Dia este onde as pessoas procuram manter-se dentro dos ditames da boa convivência social, reunidos com seus familiares e amigos. Dia de tentarmos esquecer os problemas do dia-a-dia e de avaliar o saldo do ano que se encerra.

Para os servidores da área da Segurança Pública, entretanto, é extremamente difícil avaliar como sendo o saldo positivo. A balança, durante o ano todo, foi desfavorável para muitos de nós. Um alta conta de policiais assassinados. Uma alta conta de surpresas indesejáveis, tanto na segurança, quanto na política. Sem falar na educação. Nós, policiais da segurança ostensiva – militares – não podemos, quando em coletividade, comemorar saldo positivo. Individualmente falando, talvez. Mas quando pensarmos na família policial militar, principalmente a fluminense...

Em 205 anos de existência da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a cesta de natal não foi oferecida. A desculpa foi esfarrapada, como sempre: “os eventos ocorridos na Cidade, imprevistos (a Copa?!? Imprevisto?!?) e a falta de orçamento (falta? Ou roubo?!?) não permitiram que a PMERJ pagasse a cesta natalina”. Palavras do CMT Geral Interino, Cel Íbis, que deixa a Corporação no dia 2.

Bem, é certo que não é obrigatório o pagamento de tal benefício natalino. Mas a sua tradição é tanta que é quase um direito conquistado e todos os trabalhadores brasileiros recebem uma cesta de natal. Lembro que as férias já estão interrompidas e as escalas de Ano Novo já estão confeccionadas. Disso eles não esqueceram. Mas do direito de ser reconhecido como um trabalhador brasileiro...

Para a sorte da população fluminense, o policial militar do RJ é um escravo manso: aceita tudo o que lhe é imposto, sem pestanejar. Também, pudera, já que este mesmo integrante não acredita na sua própria corporação. Sempre se ouve “eu não acredito”... (quando mudanças profundas estão para acontecer. Mudanças positivas, diga-se de passagem). Mas acreditam cegamente quando o mal lhe é entregue.

Pelo menos e, como alento próprio, fiquei realmente feliz dia desses ao prestar um concurso onde na fila para acautelamento de material bélico a presença de policiais militares era massiva: os que não se acomodaram e não aceitam mais essa “mansidade escravagista” estão estudando e indo embora. Fico feliz quando os nomes destes aparecem em Boletim Interno com a publicação de suas transferências para outros órgãos públicos. Com a baixa de ofertas em concursos internos então, essa demanda têm sido bem maior. Eu posso até não dizer baixa, mas sim ausência, pois há 09 anos não abre concurso interno na PMERJ.

E para aqueles que foram para a reserva remunerada e foram por motivos de saúde ou acidente em serviço, outro saldo negativo: o auxílio invalidez de 3 mil reais não está sendo pago pelo Governo do Estado. Uma agonia e tristeza ver meus colegas que deram o sangue pela população fluminense e agora estão fodidos (desculpe o termo, mas não encontrei outro mais adequado). Diariamente vejo o sofrimento e descaso sofrido por deles, através deste espaço virtual.

Na conta, então, um saldo negativo, para a família policial militar.

Deste ano que passou fica difícil contabilizar algo positivo. Ano de perdas, de sofrimento...

No entanto, vou desejar um 2015 de mudanças positivas para nós. Algumas que já almejamos há algum tempo, como por exemplo, o fim do rancho e também o fim do regulamento disciplinar da ditadura. Se isso acontecer em 2015, será um ano de vitórias. E também que nenhum policial seja assassinado em 2015. Chega. Nem que para cada policial militar assassinado tenha que morrer cem políticos corruptos. Chega de morte nessa droga de Estado falido. Digo, o Estado-Nação. Porque o Estado-Membro já não é mais um Estado. Está mais para uma cadeia pública do que para um espaço de democracia.

Que 2015 seja um ano de buscas. De busca ao conhecimento principalmente. Porque o conhecmento tem a característica de nos libertar deste sistema. Conhecimento de qualquer fonte, seja acadêmico, filosófico, científico, espiritual, tanto faz. E que seja usado para o bem. Para o bem da coletividade.  Talvez assim teremos um saldo positivo em 2015.



Um Feliz Natal!
Um Feliz 2015.


4 comentários:

  1. Cabo De Oliveira, boa noite e felicitações atrasadas!

    Pesquisando na internet, achei esse blogue e meu interessei por todo o seu conteúdo, que por sinal é totalmente sério e voltado a família PMERJ.

    Pois bem, fiz esse último concurso e logrou êxito até a presente etapa, o psicotécnico. Queria saber, se você poderia me tirar algumas dúvidas...

    Ter o "nome sujo", reprova na pesquisa social? E eu tinha uma tatuagem, no antebraço, mas já fiz o procedimento de remoção. Você acha que pode, por conta da cicatriz, ficar reprovado?

    Desde já lhe agradeço a atenção e te parabenizo pelo blogue, mais uma vez!

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    1. Obrigado nobre visitante! Um ótimo 2015 para nós!

      Nome sujo não reprova e nem pode! Antigamente isso ainda era uma dúvida mas hoje isso está bem mais tranquilo. A não ser que você deva aí uns 50 mil na praça... Aí poderia caracterizar outras coisas... Tirando isso.

      Retirou a tatuagem? Sem problema. Eu também entrei com cicatriz de tatuagem. E na minha época era terminantemente proibido quaisquer tipos de tatuagem. Fica tranquilo!

      Obrigado pela visita amigo. Este canal é o canal de informações e informes da PMERJ!

      Seja bem vindo à Corporação!

      Abraço

      CB DE OLIVEIRA

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  2. Olá CB De Oliveira.

    Parabéns pelo blog... pegando o gancho do que o amigo disse aí em cima, eu li no edital que em relação a CNH, se faz necessário que ela seja entregue no ato da matrícula no curso de formação CFSD ou então seria eliminado do concurso.Porém, li em algumas de suas postagens que caso você ainda não esteja com CNH no ato da matrícula,caberia um MANDADO DE SEGURANÇA,e que assim,a CNH poderia ser apresentada no ato da formatura.

    Essa informação procede? Se faz necessário que no mínimo esteja já matriculado em alguma auto escola e assim ela me forneceria algum tipo de documentação,sei lá rs.

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    1. Procede sim nobre amigo!

      E mesmo com alguma documentação de auto escola, protocolo, qualquer coisa, a PMERJ não te matricula e e te exclui do certame. Logo é indispensável a apresentação da CNH. Mas, caso não a tenha, um MS com pedido de liminar garante a sua permanência no certame. E ao término do curso de formação, você já deverá estar de posse da sua CNH, garantindo posse e nomeação.

      O TJ possui entendimento pacificado, beleza? A nomeação e investidura do militar ocorre com o juramento à bandeira, e não com início do curso de formação.

      ABRAÇO

      CB DE OLIVEIRA

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"Quando o Estado abandona seus servidores, deixando-os à mercê do outro lado, é porque, muito provavelmente, o Estado está do outro lado"

Giovanni Falcone, Juiz italiano especializado em processos contra a máfia siciliana Cosa Nostra.

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